segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Serei eu estes “eus”?!


serei  eu  estas máscaras
que a vida me obriga a usar
em cada flagrante, cada encontro
que transforma minha consciência
neste oceano de impermanências
que o tempo movimenta em ondas?

sinto,  que cada presente me escapa
por entre meus dedos [ é passado]
instantes que esculpem  novas máscaras
para este meu (aflito) personagem
que deve se enquadrar aos cenários.

...e, já não sou hoje o que era ontem
vivo nas transformações, devir sem retorno
só máscaras sobre máscaras [“eus”]
sem face alguma por detrás
sendo o disfarce,  minha atuação
neste mundo tão inconstante...

sou  meus desejos, sou minha solidão
sou o silêncio que me habita
esta presença da ausência
[de qualquer sentido]
sem indulgência alguma
uma dor enorme, invisível, sem alívio
uma insistência [sem significação]

sou tudo o que não (a)parece, exclusões
sou o subliminar , o inconsciente
aquele regente oculto, escondido
bem mais de quatro quintos do “Ser”
sou o refém desta ocultação...

não sou aquilo que os outros dizem
aquilo que os outros querem
aquilo que preciso “interpretar”
representar, partilhando experiências
da existência que ‘ anima’
esta contingência, necessária
(este menos de um quinto)
que afirma  ser meu(s) Eu(s) ”.

...ou, muito me engano
e,  serei eu (estes)  “eus”?!

este tão pouco , quase nada
esta fugacidade “real”...












Um comentário:

Jorge Santos disse...

parabens pela bela poesia